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Os lucros de Avenida Brasil

O Brasil parou para ver o final da novela da 9, Avenida Brasil, da toda poderosa Globo. Após o último capítulo, o ator Murilo Benício, que interpretou o bom e sofrido Tufão, declarou emocionado que o folhetim do horário nobre representou o povo brasileiro. Máxima de que somos esperançosos e bem humorados ou, como comercializou a Associação Brasileira de Anunciantes, em 2004: “Sou brasileiro e não desisto nunca”.

Será?
Desde 1951, a televisão brasileira consegue prender a atenção do povo com histórias que, de acordo com os autores, tendem a mostrar a realidade das pessoas.
Sinceramente, prefiro sonhar com o dia em que adotaremos uma cultura intelectual que não levante falsas bandeiras de que tudo é possível; onde o vilão se transforma em mocinho e que o mocinho cometa atrocidades defendendo seus ideais.
Aliás, o Brasil não consegue mudar a fama de que vivemos na libertinagem e que no país do Carnaval, a maior riqueza são as mulheres boazudas que exibem seus popozões nas belas praias do litoral.
Avenida Brasil, como todas as outras novelas, deu péssimos exemplos à sociedade. Um homem casado com três mulheres; uma Maria-chuteira boazuda vivendo um triângulo amoroso, entre eles com um bissexual assumido; uma vilã perversa e adultera que acaba com a infância de uma criança, comete maus tratos e a pena maior é voltar para o lugar de origem após passar três anos presa por confessar o assassinato do amante.
E então eu pergunto: este é o retrato da nossa gente?
Confesso que não consigo igualar estas histórias com o que,verdadeiramente, é a vida do brasileiro. Somos mais que isso e mais sofridos que isso.
A audiência da novela é incontestável, mas os lucros são apenas da Globo, que comercializou propagandas de 30 segundos a R$ 535,5 mil e faturou mais de R$ 2 bilhões de reais, em sete meses de exibição de Avenida Brasil. Dinheiro que o Ministério da Cultura não consegue levantar para destinar aos centros de cultura num país em os professores das universidades federais ficam 120 dias em greve, reivindicando melhores salários.
É claro que ninguém quer que o perfil cultural do brasileiro sofra alterações. A partir do momento em formos mais esclarecidos, a audiência das novelas cairá e isso não é interessante para ninguém, não é mesmo?
Que venha a próxima novela…

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4 Comentários

  1. Gislene Tenório

    “E então eu pergunto: este é o retrato da nossa gente?”
    Se não é rasque todos os jornais de Uberaba. É o que lemos todos os dias. Sua sensação de injustiça soa muito parecida com a do filho da empregada que não via mérito no trabalho humilde e diário. A culpa era do mundo. A SRTA. não piora a situação oferecendo esporte diariamente na sua cobertura? No que a situação do Nacional melhora nossa vida? É entretenimento igual.

    • Para mim, esporte é um braço social, que se levado a sério serviria, e muito, para evitar que os filhos das empregadas fossem levados ao mundo das drogas e à criminalidade. Você conhece jogador de futebol? E nem por isso, meu caro anônimo, eu defendi a Copa do Mundo no Brasil e muito menos as Olimpíadas, porque sei que muita coisa poderia ser feita com este investimento todo. O que eu disse é que eu queria menos novela na tv aberta e mais programas que estimulassem a nossa cultura e o intelecto das crianças, ou você acha mesmo que uma criança que assiste novela das 9 pode tirar bom proveito das histórias?

  2. Mas criança de 9 anos pode ver novela das 21h? A sugestão não é 16 anos?

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