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Francisco: o salvador

Eu era adolescente quando me decepcionei com a Igreja Católica. Depois de frequentar, assiduamente, as missas aos domingos e fazer a catequese, veio à tona o relacionamento entre o padre da nossa paróquia e um amigo do meu primo.

O pároco se esbaldava na farra aos sábados, bebia demais, batia o carro da igreja e “oferecia” recompensas aos rapazes que saiam com ele. Muito podre para uma instituição que você pretende seguir os “ensinamentos”.

Conheci o kardecismo e Chico Xavier ficou muito próximo com sua humildade e generosidade ímpares. Apaixonada pela doutrina, ela segue em minha vida até hoje.

Não acredito que a humanidade esteja carente de religiões. Sinceramente, acho que temos muitas para um só Deus.

As pessoas perderam a fé e o que falta mesmo são pastores para recuperar as ovelhas perdidas nos pastos.

Não falo de caçadores de fieis. Padres artistas que tentam popularizar o catolicismo. Pop stars do mundo artístico, vaidosos e deslumbrados com o riquíssimo mercado musical.

No Vaticano, Joseph Aloisius Ratzinger, o Bento XVI, descaracterizou a imagem do bondoso e carismático João Paulo II.

Nos quase oito anos de pontífice, Bento XVI piorou as relações do Vaticano com a sociedade cristã que espera mudanças nas leis da Igreja Católica. Assuntos como homossexualismo, aborto e o uso da camisinha foram atacados com punhos fortes e com a mesma frieza que Ratzinger sempre demonstrou.

Os vários escândalos envolvendo cardeais vaticanenses com corrupção e pedofilia deixou a cúria romana de cabelos em pé.

Com a saúde de Ratzinger comprometida, ele abdicou ao cargo no início deste ano e, pela primeira vez, um latino-americano foi eleito.

Jorge Mario Bergoglio não é apenas carismático. Ele é um bom pastor. Sabe conduzir os mandamentos cristãos aos corações humanos.

Depois de negar o luxo concedido aos papas, o argentino Francisco mostrou, nas ações mais simples, porque pode salvar a Igreja Católica.

Um servo das palavras de Jesus Cristo. Um filho de Deus sem vaidades e ostentações. Um homem comum que arruma o quarto ao se levantar, que usa trajes simples, que dispensou o ouro no anel de São Pedro e na mozeta. Ele sorri, canta, dança e aumenta a pena para os crimes cometidos no Vaticano.

Aberto ao dilogo, papa Francisco mostrou que vai reformular a cúria. Que vai sim discutir assuntos que acabaram virando feridas dentro do Vaticano e tentará achar soluções menos autoritárias.

No Brasil, Francisco nos deixou de boca aberta com sua simplicidade, deu mostras claras da sua liderança quando tirou os vidros do papamovel para estar junto ao povo;  pregou a humildade e solidariedade em quase todos os discursos e o mundo está com a fé no papa renovada.

Ativo e vital, Francisco tem consciência de que a humanidade tem problemas muito mais graves e urgentes do que medir a popularidade de cada religião e propôs a união de todos, sem egoísmo.

Mais que pregar o que disse Cristo, “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”, o papa mostrou que pode colocar os ensinamentos em prática.

E vai.

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Olhei para a máquina de costura e lembrei-me do sorriso da vovó. Que saudade do seu abraço, do cafuné, do beijo.

1 Comentário

  1. Ótimo texto! Com certeza o Papa Francisco está conquistando o coração das pessoas através de seus exemplos de humildade e generosidade. A humanidade carece disso.

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