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País não. Pátria!

Foto/Veja
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Estados Unidos, 02 de maio de 2011.

Era madrugada. Na TV, vi americanos se abraçando, enrolados à bandeiras. Cartazes, aplausos, hino na garganta. Ruas repletas de pessoas comemorando.

O anúncio da morte de Bin Laden foi o momento mais feliz da história americana, desde o atentado ao Word Trade Center, em 11 de setembro de 2001.

Na época, fiquei comovida com o patriotismo americano e com uma pontinha de inveja.

Brasileiro está acostumado a ser passado para trás. A ser afrontado e humilhado.

Lá fora? Não. Sobretudo aqui. Sobretudo pelos brasileiros.

Batemos no peito, orgulhosos pelo samba que temos no pé e pelo futebol que ensinamos aos gringos, mas a última vez que agimos como verdadeiros patriotas foi em 1992, no processo de impeachment do então presidente Fernando Collor.

De lá para cá, vimos a corrupção dominar o país e nada foi questionado. Nenhuma ação para demonstrar a insatisfação do povo foi tomada.

De privatizações, juízes que embolsaram mais de R$ 169 milhões, mensalões e mesalinhos, a desvio de verbas incalculáveis, o povo sempre pagou a conta calado e omisso.

Brasil, 19 de junho de 2013

Em Fortaleza, Brasil e México se preparam para iniciarem o jogo, válido pela Copa das Confederações.

Fora do Castelão, protestos, vias impedidas e muitos confrontos entre manifestantes e policiais.

A Fifa impediu manifestações dentro dos estádios, mas como disse Tom Jobim: a voz humana é o instrumento mais rico que há.

Por isso, mais de 51 mil vozes burlaram as normas da Fifa e cantaram o hino nacional brasileiro à cappela.

Os sul-africanos agiram da mesma forma, na Copa do Mundo de 2010, e os americanos também, em outra ocasião.

Paulo Vinícius Coelho, jornalista da Espn Brasil, confessou que chorou. Não só ele.

Nas arquibancadas, a torcida representou uma nação que redescobriu o patriotismo e não houve brasileiro que não se emocionasse.

Poético? É. E bonito.

O Brasil precisa disso. O povo brasileiro precisa pegar as rédeas da nação e mostrar ao mundo que também tem voz.

Estas vozes se farão ouvidas, seja numa palavra de ordem, seja no meio de um confronto com a polícia ou, simplesmente, ao cantar o hino nacional brasileiro em uma partida de futebol. Porque o Brasil é sim uma pátria amada. Nossa pátria amada, Brasil!

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