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¿Por qué no te callas?

Pelé e Ronaldo

Rei. Este é o título dado a Pelé pelo seu talento com o futebol. Particularmente, acho que ele é o maior jogador de todos os tempos, mas o que o Edson Arantes do Nascimento seria se não fosse o Pelé?

Um “neguinho” qualquer, numa sociedade preconceituosa, sem formação, sem viagens pelo mundo, sem acesso à saúde, sofrendo em um hospital público qualquer de Três Corações, em decorrência do peso dos 73 anos que ele completará em outubro.

E se o Édson só é Pelé em função do futebol, nada mais justo que ele o defenda, mas antes de ser Pelé, o Édson é também brasileiro e, com o prestígio que tem, poderia lutar pelos interesses daqueles que não tiveram a mesma sorte no futebol e, muito menos, na vida.

Esquecer os manifestos? Como assim, meu rei?

O Brasil é um dos países com piores índices de educação. A saúde pública beira o caos. A corrupção transborda em escândalos atrás de escândalos sem qualquer punição aos culpados.

Mas sendo ele o Pelé, mais que isso, sendo ele um senhor de quase 73 anos, não precisa ficar puxando saco de instituições fraudulentas como a Fifa e o COI, e poderia, se quisesse, afrontar os dirigentes, em defesa do povo, sem trocar as chuteiras.

Com a Copa do Mundo mais cara da história, não dá para agir pacificamente e “esquecer” os manifestos.

É lamentável ter que ouvir estas declarações. Ronaldo, o fenômeno, também andou criticando as ondas de protestos.

Se com hospitais não fazemos Copa, o que poderíamos fazer com os R$ 28 milhões se priorizássemos os problemas do país?

É, vou ter que plagiar um outro rei, o da Espanha: Ronaldo e Pelé, ¿por qué no te callas?

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