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“Pra não dizer que não falei das flores”

As flores

E tudo voltou a ser cinza.
Nem vermelho. Nem verde.

Vivemos um momento de incerteza política. No jogo de interesses dos nossos políticos não houve vencedor. Perdemos todos. Explico.

Alcançamos a democracia depois de duas árduas décadas de militarismo exagerado. Quantas famílias ainda procuram por parentes desaparecidos? Muitas. Quantos morreram? Muitos. Quantos foram torturados? Muitos.

E, nos últimos meses, exagerados pediram intervenção militar. Tolice.

Mas a jovem democracia, que chega aos 32 anos, atravessa a segunda intervenção de mandato presidencial.

O primeiro impeachment foi menos dolorido, pelo menos para mim. Tínhamos um Collor desgovernado à frente desta máquina chamada Brasil. Houve crime eminente e o afastamento de um cara que ninguém sabia de onde estava vindo e até onde iria.

No afastamento de Dilma, ah, neste sofri, desde o início.

Dilma fez parte de um plano de governo audacioso. Foi uma ferramenta usada pelo capitão Lula para manter-se no poder. Para dar continuidade ao esquema que inclui mortes, roubos e uma máfia que envolve inúmeras pessoas e um poderio incalculável.

Minha dor não é pelos que saem, mas pelos que ficaram.

Ficaram milhões de pessoas que acreditaram que suas vidas melhoraram nos últimos 13 anos. Muitas famílias, analfabetas politicamente, que se sustentaram com as migalhas que o PT deu durante o tempo em que ocupou a presidência.

Pessoas que acreditam que ter um carro, uma casa, eletrodomésticos novos, ambos financiados, é tudo que um bom governo pode oferecer.

O PT sai do governo deixando milhões de desempregados, a economia arrasada, um futuro incerto e, o que é pior, deixa os sonhos de um Brasil de gente dilacerados.

Gente que acreditava que um pobre menino pernambucano, sem ensino superior, que passou fome com a família na infância, chegaria ao mais alto cargo administrativo do seu país e faria tudo por um Brasil melhor. Hoje, ele corre o risco de ser preso, deixa o país sem expectativas de crescimento e sem ensinar que um bom governo educa, oferece saúde, condições de trabalho, formação profissional, sem propinas e sem contas na Suíça.

Sim. Se não houve crime cometido pela “presidenta Dilma”, a democracia e a constituição foram afetadas, mas quem é que disse que está na Constituição que um governo, um partido, uma máfia pode tirar de um país tanto dinheiro? Está previsto na Constituição que o governo em exercício pode estar ligado a crimes como corrupção, formação de organização criminosa, lavagem de dinheiro, ocultação de provas, tráfico internacional de drogas e evasão de divisas?

Tirar o PT do governo não resolverá os problemas econômicos, não pagará o rombo nas contas públicas da noite para o dia. No entanto, o PT fora do governo faz crescer, falo por mim, um desejo enorme de justiça. Uma forma de dizer não a tantos crimes praticados, quase sempre praticados, e até agora nada ter sido feito.

O PT fora do governo faz crescer o meu desejo de que o brasileiro pare de fazer piada nas redes sociais e se interesse pelos rumos do seu país.

O PT fora do governo nos dá abertura para cobrar do próximo ações transparentes para um futuro mais promissor.

Quem sabe, voltemos a sonhar que um menino ou menina pobre e sofrida, possa chegar de novo ao mais alto cargo administrativo do Brasil e, lá de cima, pensar em todos que ficaram aqui embaixo. Quem sabe esse menino ou menina possa por esta gente trabalhar, dando-lhes dignidade e respeito.

E para Vandré, para não dizer que não falei das flores, espero que a primavera traga dias melhores, caráter melhores, políticos melhores e flores no jardim.

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