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Uberaba: é assim que eu vejo

Eis a realidade: a criminalidade está em alta.

Uberaba vive dias de terror. O que antes víamos apenas na televisão, agora, está perto demais das nossas casas, das nossas crianças, das nossas vidas.

A criminalidade cresceu absurdamente, mas os índices alarmantes não foram suficientes para medidas eficientes contra o crime na cidade.

Passamos meses lendo os noticiários: assaltos à mão armada, em plena luz do dia, homicídios por vingança, roubo de veículos (oito por noite).

Uma cidade pequena demais para tantos crimes absurdos.

Quando a Polícia Militar começou agir, o crime estava mais organizado que imaginavam e, o que é pior, ganhou seguidores capazes de defendê-los com níveis altíssimos de violência.

Existem muitos lados na história. O primeiro é o lado humano dos policiais, que arriscam suas vidas por baixos salários. Há também o lado dos familiares dos criminosos, mas que me perdoem, entre salvar a vida de um PM em serviço e um vagabundo com a arma apontada para um pai de família, que morra o vagabundo. Por fim, o lado da sociedade. Atônita, incrédula e ameaçada. À mercê do crime e de alguns cidadãos que, com um computador na mão, promovem o desespero e o medo, inventado fatos e dando ênfase às mentiras que contam e recontam com doses extras de ignorância.

Em novembro de 2013, fui assaltada. Era pouco mais de uma da tarde. Três bandidos se passaram por clientes, entraram no escritório com um revólver, apontaram para a minha cabeça, renderam outra funcionária que almoçava, levaram nossos objetos pessoais, telefones, dinheiro, mas o pior do assalto foi a lesão emocional deixada.

Depois do assalto, não conseguimos abrir a porta da imobiliária com tranquilidade e, inevitavelmente, todos os desconhecidos se tornaram suspeitos.

Todos os dias, antes de dormir, ligo para os meus pais e meus irmãos, alertando-os sobre a segurança dos seus imóveis: fecharam as portas? Está tudo trancado? Está tudo bem aí?

E basta um deles não atender às minhas ligações para eu entrar em pânico. Sinto um medo enorme de que eles passem por momentos como os que eu vivi.

Ainda ouço a voz de um dos ladrões dizendo que iam dar um tiro na minha cabeça, se eu não entregasse o dinheiro que não tinha no escritório.

As gozações de que éramos muito pobres e, o que é pior, ao debater com um deles, que tínhamos família para que ele não nos matasse, ele respondeu: “nós também, estamos aqui ganhando o nosso pão”.

Francamente, aos defensores dos criminosos mortos em confronto com a polícia, eu desejo que vocês estejam na mira de um revólver apenas um minuto das suas vidas. Que seus filhos sejam ameaçados e agredidos. Que vocês retornem dos seus trabalhos e encontrem suas portas arrombadas, a televisão, comprada em muitas parcelas, fora das suas estantes, suas gavetas reviradas. Aposto que vocês se sentirão um nada, com nojo do mundo, com medo de todas as pessoas e com as suas dignidades, amigos, atirada na lama.

A ajuda deve vir de todos os lados. Do trabalho da polícia e da sociedade. Combater o crime é a única meta. Inventar histórias, para colocar mais terror na sociedade, também é crime.

Não acredito em resultados imediatos, mas devemos acreditar em soluções momentâneas que amenizarão os confrontos.

Vamos deixar a polícia agir, sem criar tumulto. Se você está com medo de sair de casa, não saia, mas não divulgue informações mentirosas, baseadas em rodinhas de fofoqueiros.

O momento é de união, não de conformismo. Cobrar segurança é um direito nosso, mas incitar a violência e os confrontos, não nos devolverá a paz que queremos!

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