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Um dia de rock e lesma

Ontem comemoramos o dia do rock, do rock n’ roll, dos solos das guitarras elétricas, das baterias frenéticas (isso não combina com rock, mas é), dos homens e seus cabelos longos, das frases de efeito moral em letras confusas e longas.

Ontem foi dia de rock e das mudanças de uma lesma chamada: eu.

Dia de ouvir The Doors e Led Zeppelin, assistir documentários sobre Rolling Stones, no canal Bis, e descobrir que Kurt Cobain já foi inimigo number one do Eddie Vedder (Pearl Jam) enquanto eu arrumava o armário: roupas, papeis, sentimentos…

Organizar a bagunça que a gente faz com a própria vida não é fácil.

Enquanto separava algumas peças de roupas para doação, fiquei me perguntando, até quando vou sobreviver ao meu desapego material?

Exceto às minhas máquinas tecnológicas – meu computador de mesa, meu notebook e meu celular – pareço conseguir viver bem sem todas as outras coisas.

A mesa de canto da minha sala continua vazia. Nenhum enfeite, nenhum vasinho comprado no R$ 1,99.

Essa sou eu. Eu não quero um carro do ano, uma moto nova, um monte de objetos de decoração que dariam ainda mais trabalho para limpar o apartamento.

Não guardo cartas de amor, e-mails, papeis de presentes, cartões de Natal e aniversários. Prefiro manter tudo muito bem organizado dentro do coração.

Piegas? Sim, mas verdadeiro.

Pra ser sincera, guardo algumas caixinhas que ganhei da minha irmã e uma outra que ganhei, personalizada, da minha amiga Daiane. Dela também guardei a ampulheta que me trouxe de presente da praia. Nunca quis me desfazer do anjinho de barro e nem da bonequinha de louça na cadeira de balanço que o meu irmão me deu.

Mas ontem a organização era outra. Parei para me perguntar se estou feliz me dedicando tanto aos outros e tão pouco a mim.

Será que vale a pena abrir mão de tudo por todos?

A lesma deu o primeiro passo. E junto com tantas coisas, joguei fora o medo de gostar de mim.

Long life ao Rock e à lesma…que, lentamente, opera mudanças importantes na minha vida!

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